quarta-feira, 25 de novembro de 2009

adolscÊncia



Na minha adolescência, eu escrevia diário. Às vezes usando caderno da escola que não chegava ao fim; mais vezes comprando um especial. Especial porque eu sabia que ele iria ser o meu diário, a cara dele era igual aos outros da escola.
Acabava um e começava outro; escrevi não sei quantos cadernos.
Era uma escrita apressada, e letra virada garrancho, toda esquecida dos exercícios de caligrafia de quando eu era criança. Era um registro compulsório de tudo o que me acontecia: emoção, dúvida, tristeza, expectativa, estava tudo lá. E era compulsório sim: ninguém sabia que eu empilhava aquela escrita toda, nunca tive vontade de mostrar os meus cadernos pra ninguém, e mesmo pensando uma vez que outra, quem sabe um dia eu vou ser escritora? Nunca me ocorreu corrigir um período, uma frase, tampouco abrir o dicionário pra tirar a dúvida que tantas vezes me batia, se aqui tinha um s antes do c, se ali tinha acento ou não - mas eu tinha que escrever.
Pra mim, escrever diário era uma cerimônia meio secreta: eu achava superdifícil escrever na sala, ou tendo alguém perto. A impressão era que eu só escrevia mesmo se eu ia pro meu quarto e fechava a porta. Habituei-me. E até hoje, mesmo pra escrever uma carta, o meu primeiro movimento é me isolar e fechar a porta.
Tinha dias que eu escrevia horas a fio.
Tinha dias que eu só escrevia uma página.
Mas, se eu não escrevia, eu me afligia. E, muitas vezes, se eu não escrevia de dia, eu acordava no meio da noite pra escrever.
(...)..
Foram quase três anos de escrever diário. Não me lembro de ter sentido cansaço ou tédio naquelas horas. Não me lembro de algum dia - um só - ter pensado, essa coisa de ter que escrever é meio chato, não é não?
Comentário:
Eu me lembro que a primeira vez que vi aquela coisa linda chamada língua portuguesa, eu tinha uns 2 anos. Eu fiquei pensando, o que quer dizer esse troço?
Era a palavra habibs.
Desde pequena me interesso pela leitura. Quando criança eu até brincava de professora.

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